ESAC dá apoio técnico e científico ao projeto "Floresta da Serra do Açor"

A Escola Superior Agrária do Politécnico de Coimbra (ESAC-IPC) é a entidade responsável por garantir o apoio técnico e científico do projeto “Floresta da Serra do Açor”, apresentado no passado dia 29 de junho, no salão nobre do Mosteiro de Folques, Arganil.
Pensado e estruturado pelo Município de Arganil, o projeto foi apresentado pelo Presidente deste Município, Luís Paulo Costa, pelo presidente do Conselho de Administração do Grupo Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, e pelo docente da Escola Superior Agrária de Coimbra e Vice-presidente do IPC, José Gaspar. O seu objetivo fulcral é a recuperação e revitalização de cerca de 2.500 hectares (25 km2) de terrenos baldios, fustigados pelas chamas em outubro de 2017.
Trata-se de um modelo florestal pioneiro e multifuncional, que se propõe garantir uma gestão integrada e profissional do espaço florestal do concelho. Com um horizonte temporal de 40 anos, o projeto materializa a visão estratégica que o Município de Arganil tem para a floresta do concelho no que toca à defesa do território contra os incêndios.
Para a concretização do projeto foi criada a F.S.A. – Floresta da Serra do Açor, associação privada sem fins lucrativos, composta pelas associações de compartes de Luadas, Teixeira, Lomba, Aveleira, Nogueira, Vinhó, Cepos e Casal Novo, Porto Castanheiro, Salgueiro, Alqueve, Bocado e Celavisa. Esta Associação conta ainda com um Conselho Estratégico, onde têm assento, além do Município de Arganil, a Jerónimo Martins e a ESAC. O projeto compreende também propriedades da Câmara Municipal de Arganil e da Junta de Freguesia de Arganil. 
A sua execução conta com o financiamento de cerca de 5 milhões de euros pelo Grupo Jerónimo Martins, estando previsto que 50% do valor seja investido nos primeiros 7 anos do projeto; até 2031 tenha sido investido 75% daquele valor; e dentro de 20 anos tenha sido executado 95% do investimento global.
As plantações deverão estar concentradas nos primeiros cinco anos do projeto, sendo que cerca de 85% dos povoamentos serão mistos, constituídos essencialmente por pinheiro bravo, castanheiro, medronheiro, carvalho e sobreiro. Paralelamente, pretende-se a exploração de valiosos e importantes produtos, como o medronho, a cortiça, o mel e os cogumelos silvestres.
Para Luís Paulo Costa, este projeto permitirá servir de exemplo, mostrando uma floresta que crie riqueza, resiliente aos incêndios, sustentável e que consiga conciliar a produção com a conservação, ao mesmo tempo que contribua para fixar pessoas no território. “O compromisso que aqui selamos, relativamente a um projeto integrado com esta ambição, com esta abrangência, com esta filosofia, não pode deixar de constituir um momento de esperança; uma razão para acreditarmos e termos confiança no futuro”, afirmou no decorrer da sessão de apresentação do "Floresta da Serra do Açor".
De acordo com o presidente da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, o grupo financia o projeto sem qualquer contrapartida, apenas a de contribuir para o “desenvolvimento do interior, a proteção do território contra fogos e o sequestro de carbono, num contexto de emergência climática global”.
Salientando o “caráter pioneiro” do projeto e a “congregação de esforços sem precedentes em Portugal”, Pedro Soares dos Santos declarou estar convicto de que esta pode ser uma mudança de paradigma de como olhar para a floresta e prevenir desastres como aquele que ocorreu em Arganil, em outubro de 2017.

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Publicado: 30 de Junho de 2020 | 15:23h

Escola Superior Agrária de Coimbra