Iniciadas as atividades no âmbito do projeto “FloraReply”

Com o apoio científico da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) – Polo do Centro de Ecologia Funcional, decorreram durante o mês passado as primeiras ações no âmbito do projeto “FloraReply”. Dinamizado pela CIM Região de Coimbra, com financiamento do Fundo Ambiental o objetivo fulcral deste projeto é, recorde-se, preservar, conservar e propagar espécies de flora ameaçada ou em declínio nos territórios da Rede Natura 2000.
Das ações levadas a cabo pela equipa do projeto, nos Municípios de Cantanhede, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Mira, Montemor-o-Velho e Soure, salienta-se a propagação da espécie nenúfar-amarelo (Nuphar luteum), nenúfar-branco (Nymphaea alba), lisimáquia-branca (Lysimachia Ephemerum), saca-rolhas (Vallisneria spiralis) e estaque-do-baixo-mondego (Stachys palustris), as duas últimas avaliadas pela Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental como criticamente em perigo e que, em todo o país, apenas existem nesta região. A espécie estaque-do-baixo-mondego (Stachys palustris), que em Portugal apenas se regista no Baixo Mondego e se vislumbra nos Municípios de Montemor-o-Velho e Coimbra, merece especial atenção, estando a decorrer ações que visam a sua propagação para outras áreas do território. As ações contemplaram igualmente a tentativa de erradicação das espécies de plantas invasoras Ludwigia grandiflora e Ludwigia peploides, por se encontrarem numa fase inicial de invasão na Região.
No contexto do projeto foi ainda instalada uma barreira flutuante de proteção no Poço da Cal, no Município de Montemor-o-Velho, com o propósito de conservar o último exemplar de nenúfar-amarelo do Vale do Mondego, defendendo-o de outras espécies invasoras aquáticas. 
Jael Palhas, investigador do Centro de Ecologia Funcional do Polo da ESAC, lembra que esta planta, que “era comum no Baixo Mondego todo”, tem vindo a desaparecer, estando no Poço da Cal “o último indivíduo desta espécie em todo o Vale do Mondego”. O esforço para que o nenúfar-amarelo não desapareça do Baixo Mondego concretizou-se através “da replantação no Choupal, no paul de Arzila, no paul do Taipal, e com a propagação para tanques de cultivo na ESAC, nos jardins botânicos de Coimbra e do Porto”. A barreira flutuante agora colocada vai proteger a planta ameaçada, mas simultaneamente “possibilitar a entrada de luz na água, sendo um respiradouro no rio que vai permitir também a sobrevivência de outras espécies que dependem da entrada de luz na água”.

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Publicado: 14 de Dezembro de 2020 | 12:11h

Escola Superior Agrária de Coimbra